
O custo do aluguel em Florianópolis cresceu significativamente nos últimos anos, aumentando 58% acima do salário mínimo regional de Santa Catarina entre 2017 e 2025. Esse cenário tem agravado o custo de vida na capital catarinense, conforme aponta o levantamento FipeZap+ de fevereiro de 2025.
De acordo com os dados, o valor médio do aluguel na cidade atingiu R$ 55,64/m² em 2025. Enquanto isso, a primeira faixa do salário mínimo regional foi fixada em R$ 1.730. Essa disparidade evidencia que o aumento do aluguel não acompanhou o ritmo de crescimento da renda mensal dos trabalhadores locais.
Em 2017, o preço do metro quadrado era de R$ 21,91, representando 2,03% do salário mínimo de R$ 1.078 na época. Em 2025, o custo subiu para 3,2% do salário, demonstrando um crescimento proporcional significativo.
A economista Laura Pacheco, do Instituto Brasileiro de Finanças, destacou que “pessoas que vivem com o salário mínimo em Florianópolis enfrentam dificuldades para arcar com o aluguel e outros custos essenciais, como a cesta básica. Essas condições muitas vezes obrigam os trabalhadores a buscar alternativas, como morar com familiares ou em residências emprestadas.”
Florianópolis supera a média nacional em preços de aluguel a partir de 2023
O preço do aluguel em Florianópolis começou a ultrapassar a média nacional em 2023, quando chegou a R$ 41,48/m², acima dos R$ 37,71/m² registrados em âmbito nacional. A partir de então, a cidade passou a figurar entre os cinco municípios com os aluguéis mais caros do Brasil, ocupando a 5ª posição em 2025.
O ranking de 2025 é liderado por Barueri (SP), com R$ 63,57/m², seguido de São Paulo (SP), Recife (PE), Belém (PA) e Florianópolis (SC).
Pandemia e trabalho remoto influenciam alta de preços
A economista Laura Pacheco relaciona a elevação do preço do aluguel em Florianópolis a mudanças trazidas pela pandemia, como o aumento do trabalho remoto e híbrido. “Pessoas com salários mais altos se mudaram para Florianópolis em busca de qualidade de vida, elevando a demanda e os preços. Muitos podem nem ter contratos de trabalho vinculados à capital.”
Apesar da alta dos preços para os inquilinos, os proprietários enfrentam uma baixa rentabilidade em comparação com outras cidades. Em 2025, Florianópolis apresenta uma taxa de retorno de 5,56% sobre o valor do aluguel, a 9ª menor entre 36 municípios analisados pelo FipeZap+.
A disparidade entre o aumento do custo de vida e o crescimento do salário mínimo é um desafio crescente na capital catarinense, afetando tanto os trabalhadores locais quanto o mercado imobiliário.