
Mais de cinco mil produtos brasileiros poderão entrar no mercado da União Europeia sem a cobrança de imposto de importação a partir da entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que analisou os impactos do tratado assinado na última semana pelos países envolvidos.
De acordo com o levantamento, cerca de 54% dos produtos comercializados entre os dois blocos terão tarifa de importação zerada imediatamente após o início da vigência do acordo. Isso representa mais de cinco mil itens brasileiros com acesso facilitado ao mercado europeu, um dos mais relevantes do mundo em termos de consumo e poder econômico. No caso das exportações brasileiras para a União Europeia, a CNI aponta que aproximadamente 83% do valor exportado passaria a entrar no bloco sem cobrança de tarifas logo no início do acordo.
Do lado brasileiro, a abertura do mercado será mais gradual. Parte significativa dos produtos europeus terá redução de tarifas ao longo de prazos que variam entre 10 e 15 anos, conforme os cronogramas negociados. Segundo a indústria, esse modelo assimétrico busca dar mais tempo para adaptação dos setores nacionais, reduzindo impactos sobre a competitividade da produção interna.
A avaliação da CNI é de que o acordo representa um avanço expressivo para a inserção do Brasil no comércio internacional. Com a entrada em vigor do tratado, o país passaria a ter acesso preferencial a mercados que concentram cerca de 36% das importações globais de bens, um salto significativo em relação ao patamar atual. A expectativa é de que a medida amplie exportações, estimule investimentos e fortaleça a indústria nacional.
Setores como o agroindustrial e a indústria de transformação estão entre os mais beneficiados, com destaque para produtos com maior valor agregado. Além da redução de tarifas, o acordo também prevê regras que incentivam cooperação tecnológica, inovação e padrões ligados à sustentabilidade, pontos considerados estratégicos para a competitividade brasileira no longo prazo.
Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e aprovado pelos congressos nacionais dos países do Mercosul para entrar em vigor. Após essa etapa, a implementação ocorrerá de forma gradual, respeitando os prazos de transição previstos no texto. Para representantes do setor produtivo, o tratado é visto como um marco histórico e uma oportunidade de diversificar a pauta de exportações brasileiras, reduzir barreiras comerciais e ampliar a presença do país em mercados internacionais estratégicos.







