
Santa Catarina registrou queda no número de turistas estrangeiros nas primeiras semanas de 2026, puxada principalmente pela diminuição da presença de visitantes argentinos, que historicamente lideram o fluxo internacional para o estado durante a temporada de verão. Os dados apontam uma retração em comparação ao mesmo período do ano passado, especialmente em destinos do litoral.
No início de 2025, os argentinos representavam cerca de 22% do total de turistas estrangeiros em Santa Catarina. Já nas primeiras semanas de 2026, esse percentual caiu para aproximadamente 19%, indicando uma redução significativa no principal mercado emissor internacional do estado. Em algumas cidades, a queda foi ainda mais expressiva, como em Florianópolis, onde a diminuição no número de visitantes argentinos foi bem superior à média estadual.
O cenário é atribuído, principalmente, a fatores econômicos na Argentina. O aumento do endividamento das famílias, a redução da confiança do consumidor e as dificuldades financeiras enfrentadas no país vizinho influenciaram diretamente a decisão de viajar para o exterior. Além disso, a valorização do real frente à moeda argentina tornou os custos de hospedagem, alimentação e lazer mais elevados, reduzindo o poder de compra dos turistas.
Apesar da queda no volume de visitantes, o gasto médio dos turistas estrangeiros que vieram ao estado neste início de ano foi maior. O comportamento indica um perfil de viagem mais seletivo, com estadias mais curtas, porém com maior desembolso por visitante, o que ajudou a amenizar parte dos impactos econômicos da redução no fluxo.
Mesmo com a diminuição geral, algumas cidades catarinenses registraram aumento na participação de turistas argentinos, especialmente no Sul do estado. O movimento sugere uma redistribuição dos visitantes, que passaram a buscar destinos menos tradicionais ou com custos mais acessíveis.
A redução no número de turistas argentinos reforça a sensibilidade do setor de turismo às variações econômicas e cambiais dos países vizinhos. O cenário também acende um alerta para a necessidade de diversificação de mercados internacionais e de estratégias para manter a competitividade de Santa Catarina como destino turístico.








