
O primeiro pregão após a eleição presidencial foi marcado por uma forte reação do mercado financeiro. A mudança no cenário político provocou uma corrida de investidores para ajustar suas posições e colocou a moeda norte-americana novamente em um patamar que não era registrado havia meses.
Nesta segunda-feira (26), o dólar chegou a R$ 5,60, com alta superior a 12%, após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser reeleito presidente do Brasil. A disparada ocorreu depois de o resultado das urnas contrariar as expectativas de parte do mercado, que apostava na vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
Na abertura das negociações, a moeda norte-americana já avançava 8,65%, cotada a R$ 5,42. Ao longo da manhã, a valorização aumentou e levou a cotação a superar R$ 5,60. O movimento representou uma mudança brusca em relação à sexta-feira (23), quando o dólar encerrou o pregão abaixo de R$ 5.
A reação está ligada à revisão das expectativas dos investidores sobre a condução da economia no próximo mandato. Antes da votação, parte do mercado apostava em uma mudança de governo e esperava medidas de maior controle das despesas públicas. Com a vitória de Lula, investidores passaram a reavaliar suas posições diante das incertezas sobre a política fiscal e a trajetória da dívida pública
A pressão sobre os ativos brasileiros não ficou restrita ao câmbio. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, caiu 10% logo na abertura, levando a B3 a acionar o chamado circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos bruscos do mercado.
A interrupção ocorreu pela primeira vez desde março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19. Após a retomada das operações, o índice aprofundou as perdas durante a manhã, em meio à reação dos investidores ao resultado eleitoral.





