
O governo federal revisou para baixo a projeção do salário mínimo para 2026. O novo valor estimado é de R$ 1.627, quatro reais a menos do que o previsto anteriormente no projeto de orçamento, que apontava um piso de R$ 1.631 para o próximo ano. A mudança reflete ajustes recentes nas contas públicas e nas expectativas econômicas, que ainda estão sendo recalculadas antes da aprovação final do orçamento.
A estimativa inicial considerava a reposição integral da inflação medida pelo INPC, somada a um ganho real de 2,5% — política adotada recentemente para garantir algum aumento acima da inflação. Porém, revisões técnicas feitas nas últimas semanas levaram o governo a reduzir o valor final do piso, mesmo que a diferença pareça pequena à primeira vista.
A alteração impacta diretamente milhões de brasileiros que recebem o salário mínimo como remuneração mensal. Além de trabalhadores formais, o piso nacional serve de referência para benefícios previdenciários e assistenciais. Cerca de 70% dos aposentados e pensionistas do INSS recebem exatamente um salário mínimo, o que significa que mais de 28 milhões de pessoas dependerão do valor reajustado. Para famílias que vivem com renda limitada, até mesmo alguns reais a menos representam perda de poder de compra, especialmente diante da inflação persistente e da alta nos preços de itens básicos.
O governo argumenta que o reajuste limitado faz parte de um esforço maior para equilibrar as contas públicas e cumprir metas fiscais. A própria regra de correção do salário mínimo, em vigor desde 2024, determina que os aumentos reais não podem ultrapassar 2,5%, mesmo se o PIB crescer acima desse percentual. A limitação busca controlar o avanço das despesas obrigatórias — principalmente previdência — que aumentam automaticamente conforme o piso nacional é atualizado.
Para os trabalhadores e aposentados, no entanto, o valor final novamente levanta debates sobre o poder de compra e a capacidade de o salário mínimo acompanhar o custo de vida. Mesmo com reajustes anuais, o peso crescente da alimentação, moradia e serviços básicos continua pressionando o orçamento das famílias de baixa renda. Assim, embora o novo valor represente um aumento em relação ao piso atual, a redução frente ao que estava previsto acaba simbolizando um desafio adicional num cenário econômico já apertado.








