
Mais de 217 mil brasileiros solicitaram a exclusão de suas contas em sites de apostas online desde dezembro, segundo dados divulgados pelo Ministério da Fazenda. O número foi registrado após a entrada em funcionamento de uma ferramenta de autoexclusão centralizada, criada pelo governo federal para permitir que usuários bloqueiem voluntariamente o acesso às plataformas de apostas regulamentadas no país. A medida também impede o recebimento de publicidade do setor e tem como objetivo ampliar a proteção aos consumidores.
Em pouco mais de um mês de funcionamento, a ferramenta revelou a dimensão do impacto social das apostas online no Brasil. De acordo com o levantamento, o motivo mais citado pelos usuários para pedir a exclusão foi a perda de controle sobre o jogo, associada a questões de saúde mental. Outros solicitantes relataram preocupação com o uso de dados pessoais e o desejo de reduzir estímulos constantes para apostar.
A maioria dos pedidos foi feita com bloqueio por tempo indeterminado, indicando que muitos apostadores optaram por se afastar definitivamente das plataformas. Uma parcela menor escolheu períodos determinados de exclusão, como um ano. Embora as empresas de apostas já sejam obrigadas a oferecer mecanismos de autoexclusão em seus próprios sistemas, a ferramenta do governo permite um bloqueio mais amplo, impedindo o acesso do usuário a todas as plataformas legalizadas a partir do CPF informado.
O crescimento das solicitações ocorre em meio à expansão do mercado de apostas regulamentado no Brasil, que movimenta bilhões de reais e atrai milhões de usuários. Ao mesmo tempo, aumentam os alertas sobre os impactos das apostas na saúde mental, no endividamento das famílias e no consumo. O governo afirma que seguirá reforçando a fiscalização do setor, aprimorando mecanismos de proteção ao consumidor e combatendo plataformas ilegais, buscando equilibrar a atividade econômica com a redução de danos sociais.








